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Postado originalmente em 21 de maio de 2008
Era uma vez uma doce e meiga garotinha loirinha, magricela e dentuça. Ela tinha sete anos quando uma amiga foi brincar em sua casa e elas decidiram brincar de pular na cama. A menina da nossa história, caros leitores, estava com receio de pular, mas sua amiga a obrigou. Resultado: ela bateu com a cara na janela e estourou a boca.
E assim começou sua longa e dura jornada de visitas ao dentista.
Aos oito ela começou a usar aparelho móvel. Aos dez, o fixo. cinco anos depois, e sete após o início de nossa jornada, nossa menininha finalmente retirou os ferros dos dentes. Eles estavam retinhos, perfeitos, cada qual em seu devido lugar. Mas o dentista da nossa menininha, caros leitores, não colocou nenhum tipo de ferrinho para impedir que os dentes voltassem a ficar tortos. Ele apenas a alertou que deveria realizar uma cirurgia para extrair os sisos, que ainda nem haviam nascido.
Não é preciso dizer que nossa menininha recusou.
Antes que comece qualquer tipo de julgamento quanto à decisão da nossa menininha, talvez seja necessário acrescentar que ela, durante a longa jornada de sete anos de idas e vindas mensais no consultório odontológico, havia sido submetida à extração de praticamente todos seus dentes-de-leite e dois dos permanentes. Após tantos procedimentos, alguns podem julgar que ela deveria estar habituada, mas fato é que a cada extração nossa menininha se sentia mais e mais traumatizada. Ela odiava dentistas desde a mais remota memória que conseguia extrair de sua cabecinha, quando, na tenra idade de três ou quatro anos, sua mãe a levava ao dentista para aplicações de flúor.
Foram estes os motivos que a levaram, então, a recusar abortar os sisos quando assim lhe foi sugerido. Ela ainda tinha a vã esperança de que haveria espaço em sua arcada dentária para tais dentes. Tola e pueril menininha.
Eis que, passados enfim quase quatro anos, nossa menininha viu seus dentes outrora tão bem consertados pelo uso de aparelhos se deformarem, encavalarem e entortarem até chegar ao extremo que ela jamais imaginara.
Foi uma olhada no espelho que a fez decidir: sim, agora extrairia os sisos. Deixaria os traumas, medos e revoltas para trás e, estoicamente, andaria passo a passo rumo à cadeira de dentista para, de uma vez por todas, livrar-se deste mal.
E foi de cabeça erguida que ela entrou no consultório.
pela menininha da história
Postado originalmente em 12 de maio de 2008
Não era pessoa de se contentar em ser “uma”. Ou era “a”, ou não era. Não havia meio-termo.
Verdade é que sabia ser, no fundo, apenas mais uma, assim como todos os outros. Querendo ou não, era o que era e o que todos eram era apenas mais uma pessoa no mundo. Um pontinho escuro no meio da noite. Um gato pardo a mais num terreno baldio. Uma poesia a mais no mundo.
Há os que pensam ser as poesias únicas. Há quem diga que cada poesia é “a” e jamais “uma”. O que é esta senão a mais completa enganação?
Sim, para mim há “aquela” poesia. Mas e das poesias das quais nunca ouvi falar, das quais nunca ouvi um verso, o que são feitas delas? São mais “uma”. Apenas mais “uma”. Assim como “aquela”, que sempre será mais “uma”.
“Todas as cartas de amor são ridículas, não seriam cartas de amor se não fossem ridículas”
“O poeta é um fingidor, finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente”
“O amor é fogo que arde sem se ver”
“Ah, o amor... Que nasce não sei de onde, vem não sei como e dói não sei por quê”
Todas apenas mais “uma”.
E qual a importância deste texto?
Nenhuma... É apenas mais “um”.
por só mais alguém
Postado originalmente em 24 de abril de 2008
- Alô?
- Sim, pois não?
- Pois não o quê?
- Pois não, pois não? Não pôs?
- Quer falar com quem?
- Com quem? Não, não com o Ken... A Barbie não está?
- Engraçadinho... Eu vou desligar!
- É bom mesmo desligar o fogão... A panela tá queimando...
- !
- ...
- ...
- Já voltou?
- Como você sabia que a panela estava queimando?
- Todas as panelas queimam. Elas são feitas para isso.
- Isso não diz a você que eu estava com uma panela no fogo.
- É que eu sou o Senhor do Fogo!!!
- ...
- Queimou o jantar?
- Não, desliguei a tempo.
- Bom mesmo, comida queimada é horrível.
- Quem tá falando, hem?
- Você viu o capítulo de hoje da novela?
- ...
- A Maria se declarou para o José. Até que enfim, eu já tava cansando de esperar...
- Ah é? Nossa, não deu pra eu ver hoje... Fui à missa.
- Ah, você vai à missa? Que bom... É sempre bom seguir uma religião, né?
- Missa de sétimo dia do cunhado da minha prima.
- Ah...
- Quem tá falando?
- Missas de sétimo dia são tristes. Eu nunca vou. Mandou flores para a família e digo que precisei trabalhar até tarde.
- Eu ia fazer isso, mas minha tia veio me buscar pessoalmente.
- Então você não vai às missas normalmente?
- Costumava ir quando era mais nova... Mas depois de um tempo deixei de ver o sentido nisso tudo.
- Por quê? Aconteceu alguma coisa?
- Não... E estranho é que as pessoas sempre pensam que precisa ter acontecido alguma coisa para você deixar de ver sentido na religião.
- É o que geralmente acontece...
- Mas não, não... Eu simplesmente deixei de acreditar. Olhei para o Cristo de madeira pendurado no altar e me dei conta de que ele não me dizia nada. Era apenas um Cristo de madeira. Sabe quando você repete muito uma palavra e ela deixa de fazer sentido? Então... A sensação foi parecida...
- ...
- Você segue alguma religião?
- Não acredito em Cristos de madeira.
- É... Nem eu. Não sinto necessidade de acreditar. É como se...
- ... não fizesse diferença.
- É. Isso mesmo. Que diferença faz eu acreditar ou não? Duvido muito que haja um Deus que nos criou para adorá-lo. Seria teocentrismo demais da parte dele.
- Eu já vi Deus.
- ...
- E quarenta mil anjos ao seu redor.
- Num sonho, né?
- Não... Foi mais como uma visão.
- E como foi?
- Foi... Mágico.
- Como você viu? Como ele estava?
- Não sei dizer. Apenas estava. Difícil entender, né?
- Deve ser. E ele disse alguma coisa?
- Disse... Mas não foi exatamente como dizer. Foi de uma forma estranha, como se as palavras Dele fossem postas na minha cabeça.
- E o que ele disse?
- Tudo ficou muito claro, muito claro. E, com aquela voz silenciosa, Ele disse: "Deus não existe".
- ...
- ...
- Afinal, quem tá falando?
- Sou eu.
- Quem é você?
- Deus.
- ...
- ...
- Você não esperou que eu acreditasse nessa, né?
- Não, eu sabia que você não ia acreditar. Assim como sabia que a panela ia queimar.
- Tá bom... Com quem você quer falar?
- É da casa do Noé? Preciso avisar sobre um dilúvio...
- Não, não tem nenhum Noé aqui.
- Ah, então desculpa. Foi engano.
(Clanc!)
by someone
Postado originalmente em 16 de abril de 2008
Albert acordou, mantendo os olhos fechados. Fez as três perguntas básicas de antes de se levantar:
- Quem sou eu?
Ah, sim. Sou Albert.
- Com o que estava sonhando?
Sonhando, sonhando... Vejamos, não me lembro muito bem... Era algo estranho, só sei disso. Acho que eu estava com medo.
- Onde eu estou?
Ora, estou em casa, pergunta mais besta!
Sentou-se na cama e abriu os olhos. Piscou duas vezes para ter certeza do que estava vendo. Não se convenceu. Esfregou os olhos, deu uma risadinha ("Vamos, Albert, já é hora de acordar...") e voltou a abri-los. O sorriso se desmontou em forma de "O" enquanto ele tentava entender o que via.
Era uma luz. Ou não era? Era claro, muito claro. Parecia sim uma luz. Levantou-se da cama e caminhou até a figura. Deu uma volta ao redor daquela luz que não era luz e brilhava suspensa do chão bem no meio de seu quarto.
Seu quarto? Não, não. Albert sufocou um grito ao ver as paredes se encolherem sobre ele. Aquele não era seu quarto, definitivamente. Mas acabara de se levantar de sua própria cama, disso tinha certeza. A cama estava lá, logo atrás dele. Virou-se só para ter certeza.
Sim, a cama estava lá. E era a cama dele. Verdade que não se lembrava de haver pendurado aqueles pompons cor-de-rosa na cabeceira, mas era sim a sua cama.
Ah, mas era a luz! Era aquela luz que não era luz que ele estava olhando. Precisava descobrir o que era, afinal. Voltou-se para o local de onde a luz se sustentava.
Tentando ignorar as paredes que se moviam como se tivessem vida, Albert se aproximou, observando atentamente. Tinha a nítida impressão de que aquela luz estava – por mais loucura que isto parecesse –olhando diretamente para ele.
Circundou novamente a luz, sentindo os olhos que não via seguirem-no. Pulou na cadeira e voltou para o chão, só para se certificar de que os olhos o seguiriam. E o fizeram.
"Certo, certo... Albert, já chega de sonhar..."
Deu-se um forte beliscão que doeu muito, como que para dizer-lhe que não estava sonhando.
Voltou à luz, absurdamente curioso. Estendeu os braços e tocou-a.
Foi como se fosse engolido por aquela luz. Na verdade, sugado. Como se aquela luz o sugasse para dentro de si, de um lugar cheio de luz que não era luz.
Ele rodopiou e rodopiou várias e várias vezes antes de ir de cara no chão. Sentiu as folhas secas bem diante de seu nariz. Já havia estado naquele lugar, conhecia aquelas folhas.
Levantou-se. Viu a luz bem diante de si. Já não era mais como um luz que nunca fora. Agora tinha formas. E olhos.
Albert sentiu-se perdido. Não sabia se deveria sentir medo ou não. Algo dentro dele, algo que não podia explicar e não se lembrava de onde vinha, dizia-lhe que já tivera medo daquilo. Mas a verdade é que já não tinha medo algum.
Olhou para as árvores e folhas ao redor e lembrou-se de tudo e seus olhos se arregalaram quase ao mesmo tempo em que pôde ouvir a luz que não era luz cantando lentamente:
“Se eu roubei... se eu roubei... teu coração...”
Continua...
Postado originalmente em 11 de abril de 2008
Algum lugar parecido com a frente da igreja de Águas. Eu e Karol sentadas no chão, olhando algo na frente. Olhamos para trás, Johnny Depp está sentado atrás de nós, encostado numa árvore. Nós olhamos discretamente para ele, sem coragem de puxar assunto. Começamos a falar sobre ele no maior volume, e ele fica nos observando.
De repente surge um menino de uns 6 anos, de cabelos muito pretos na altura dos ombros, sentado entre nós duas e ele, sobre uma poça d'água (que pertencia ao menino).
Johnny se interessa pelo menino. Ele fica olhando fixamente para o menino por um bom tempo. Eu me viro para o menino e falo com ele. Pergunto se está tudo bem, se ele precisa de alguma coisa. Johnny sorri (daquele modo maravilhoso!) e fala com o menino em francês. Eu olho para Johnny, sorrio e digo baixinho:
- I don't think he can speak French.
Ele se aproxima de nós duas.
- Sorry, what did you said?
Eu tomo coragem, respiro fundo e repito de forma que ele possa ouvir. Ele ri, olha para o menino. Ele me pergunta algo, e nesse momento meu coração começa a disparar tão forte que eu tenho medo de que ele consiga ouvi-lo. Karol também conversa com ele, sempre em inglês. O menino de cabelos pretos desapareceu, como que pulverizado no ar.
Johnny senta-se ao nosso lado enquanto conversamos. Eu aproveito para dizer o quanto eu sou apaixonada por ele, o quanto eu adoro seus filmes. Ele fica sem graça, dá um sorriso tímido e diz:
- Yeah... “The number one!”...
Eu rio e digo:
- You know, I've seen many of your films. I know that there are many great, enormous, HUGE actors, but you are my preferred one 'cause you are... wierd! And I love it!
Ele ri baixinho e continuamos a conversar (eu, ele e Karol). Estamos conversando um assunto filosófico de alta importância de que eu não lembro nem mesmo uma parte agora...
De repente ele levanta, querendo ilustrar o que estava falando. Pega um vaso de girassóis e os levanta dramaticamente do chão, dizendo algo em francês que a Karol entende mas eu não. Ele pega o vaso, tira do chão e coloca numa mesinha. Quando termina, ele olha para nós duas e percebe que eu não entendi. Ele então repete os movimentos e fala em português algo como:
- Não importa quão bela seja uma flor quando plantada. Se a arrancamos, ela murcha e morre. Por outro lado, se lá a deixarmos, ela vai murchar e morrer sozinha.
(Talvez um dia eu entenda o valor filosófico disso. E mande para o Johnny Depp, afinal o autor foi ele.)
Ele volta a se sentar com a gente. Conversamos mais um tempo, sobre família e coisas do tipo. Eu peço para tirar uma foto com ele, para poder guardar. Ele faz uma cara de decepcionado, mas diz que vai continuar mais tempo no Brasil e que quer nos ver de novo em uma semana, no mesmo lugar.
E eu acordo.
Em uma semana, no mesmo lugar? Certo, certo... Estarei lá!
(Se acordada ando sem inspiração, não posso dizer o mesmo quando estou dormindo...)
acabou de ser sonhado por Tatiana Leutwiler
Postado originalmente em 25 de março de 2008
Como diriam alguns (eu incluída nisto): "Grilei". Não, não estou cheia de grilos ao meu redor. Mas fiquei "grilada" e cansei. Cansei "de tanta babaquice, tanta caretica, desta eterna falta do que falar".
Tendo uma "quase, mas não totalmente, completamente diferente de" uma crise adolescente de "o mundo é um porre", estou num daqueles momentos em que, sim, o mundo vira um porre. Um daqueles momentos em que você olha ao redor e vê a tão aclamada "grandeza" das pessoas como mais uma prova da mesquinhez ordinária do mundo. E o pior: tem plena consciência de que a sua "grandeza" é igual à deles.
E isso leva você a "entrar em parafuso", a duvidar de si mesmo e de suas convicções. "Será mesmo que eu estou tão certa assim?". "Será que eu sou assim tão 'grande' mesmo, ou só penso que sou?".
E você sabe, lá no fundo sabe, que não é tão "grande" quanto pensa. Você sabe, lá no fundo sabe, que você é só mais um a pensar ser "grande". Só mais um no mercado dos hipócritas.
"Bem vindos, bem vindos
ao Mercado dos Hipócritas!"
E o que causou esta mudança? Esta repentina e odiada percepção de que "Tudo é Tudo, e Nada é Nada", e que você certamente não é Tudo? O que foi a força causadora de tal percepção?
Algo tão pequeno, um momento de raiva, uma palavra mal-direcionada, uma intenção inocente mal-recebida, um "cego mascando chiclete".
E no momento de Crise de Saco Cheio, não importa. Nada realmente importa.
Aí vem aquela vontade louca de jogar tudo para o alto - ou no chão - e destruir tudo o que foi construído (já que você chegou à conclusão de que tudo o que foi construído não passa de uma grande hipocrisia sua).
Mas você sabe que estou momento vai passar. Sempre passa. Por isso é chamado de "momento". E ainda bem que passa. Ninguém poderia viver lucidamente sabendo toda a verdade. Ilusões são necessárias. Hipocrisia é necessária.
Ainda assim, resolvi Testar a Não-Existência Construtiva. Pelo tempo necessário - quanto será? -, eu deixo de existir. Só para ver o que acontece. Para ver se alguém repara - com certeza alguém reparará - que estou "na contra-mão, atrapalhando o tráfego".
Amém.
Postado originalmente em 17 de março de 2008
Se esta rua, se esta rua fosse minha...
Era um bosque, um bosque longo e escuro. Albert caminhava por ele, temendo algo que não sabia bem o que era. Arrepios gelados percorriam sua espinha de alto a baixo. Ele olhava ao redor, procurando o que não sabia se queria encontrar. Ele ouvira claramente a canção. Será que realmente ouvira?
Eu mandava, eu mandava ladrilhar...
Agora tinha certeza. Sim, ouvira com os ouvidos que a terra haveria de comer. Outra onda de arrepios percorreu sua espinha. De onde vinha aquela voz? Era uma voz serena, macia.
Com pedrinhas, com pedrinhas de brilhante...
Era uma voz infantil, podia assegurar. A dona daquela voz não passaria de seis anos, se os tivesse. Mas então, por que diabos mais uma onda de arrepios teimou em percorrer sua espinha ao ouvir a canção?
Para o meu, para o meu amor passar...
Albert parou de andar, tentando identificar a direção da voz. Procurou ignorar a nova e já familiar onda de arrepios que subiu até sua nuca. Olhou para os lados, em todas as direções, mas a voz parecia haver se calado.
Andou mais alguns passos na escuridão do bosque. As árvores e arbustos ao redor não passavam de vultos. O arrepio havia se alojado na nuca e de lá parecia não querer sair. Albert podia sentir suas orelhas arrepiadas, eretas, procurando qualquer ruído. Mas não havia ruído nenhum. Nem mesmo o som do vento, nem mesmo o cricrilar dos grilos. Nada.
E então não pôde mais conter o medo. Ajoelhou-se, acocorou-se, protegendo a cabeça com os braços, fechando os olhos o mais forte que podia. Tentou cantar, mas nenhuma música passou por sua cabeça. Tentou falar, mas não havia pensamentos para verbalizar. Sentia apenas medo.
E então.
Nesta rua, nesta rua tem um bosque...
A onda de arrepios fê-lo levantar num instante. Olhos abertos, procurou a origem da voz. Seu coração batia com tanta força que era capaz de sentir o sangue pulsando em suas têmporas. Tentou falar. Quem era?, ele perguntaria. Mas a voz não saiu. Tentou mais duas ou três vezes, mas o som não saía.
Que se chama, que se chama solidão...
Começou a correr. Não pensara nisto, apenas corria. Tropeçou em raízes, caiu algumas vezes, mas continuou correndo. Chegaria ao fim daquilo, sabia que chegaria. Precisava chegar.
Então caiu. Caiu e continuou caindo por alguns momentos antes de chegar ao chão.
Dentro dele, dentro dele mora um anjo...
Estava exausto. Jamais conseguiria sair dali. Deixou o rosto colado à terra e às folhas secas ao chão durante o silêncio. Podia ouvir agora seu coração bater. Manteve os olhos fechados.
Que roubou, que roubou meu coração...
Uma luz invadiu suas pálpebras fechadas. Teve medo de abri-las. Permaneceu imóvel, sentindo o arrepio correr sua espinha e atravessar seus órgãos.
E então não sentiu mais medo.
(continua...)